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terça-feira, 23 de junho de 2009

Porquê Emigraram?

Há uns tempos atrás criei uma Poll relativa aos motivos que levaram as pessoas a emigrar. E eis os resultados:

06 resp.: Porque o meu parceiro(a) é natural do País para onde emigrei.
09 resp.: Porque estava desiludido(a) com o meu trabalho.
19 resp.: Porque tinha/tenho dificuldades financeiras.
19 resp.: Porque queria conhecer outros costumes/países/pessoas.
22 resp.: Porque não tinha emprego no meu País.
23 resp.: Porque estava desiludido(a) com as condições de trabalho no meu País.
38 resp.: Porque queria uma melhor qualidade de vida.

E como já era de esperar as razões mais votadas foram a falta de emprego, a desilusão em relação às condições de trabalho e a procura de uma melhor qualidade de vida. A meu ver ainda vão ser necessárias mais algumas gerações até que se as pessoas se comecem a mudar de país porque simplesmente lhes deu na telha.

Já lá vão os anos em que a grande/absoluta maioria dos emigrantes eram pessoas com poucos recursos/educação que partiam em busca de uma vida melhor. Muitas vezes emigravam sozinhos deixando a família em Portugal e faziam uma vida um tanto ou quanto frugal. Daí o arquétipo do "típico emigrante":

. aquele que emigra para outro país com o objectivo de ficar por lá só uns X anos, mas que vai ficando e ficando ... e ficando
. aquele que trabalhar, trabalha, trabalha, e ... trabalha
. aquele que poupa tudo o que consegue e mais algum
. aquele que constrói uma bruta vivenda na terrinha à qual vai tirar o pó algumas vezes por ano parecendo um Zé das Medalhas a cavalo na súper máquina de última moda ... vermelha de preferência.


Mas quem são os emigrantes dos dias de hoje e que tipo de vida é que levam? E afinal de contas o que é a tão cobiçada "melhor qualidade de vida"?


Lembro-me de alguns anos atrás ter visitado Lausanne durante um fim-de-semana. No hotel conhecemos duas senhoras portuguesas que lá trabalhavam e que nos vieram cumprimentar quando nos ouviram falar português .. e ficou-me um comentário que passou entre elas quando se afastavam: "Estás a ver? nós viemos com a mala às costas e tivemos que entrar pela porta do cavalo e hoje em dia eles entram pela porta da frente em todo o lado!".


Falando por mim, eu emigrei por puro acaso. Estava eu a contemplar a minha vida como investigadora numa instituição aonde só os patêgos é que não tinham tachos por fora; aonde eram os burros de carga de todos e mais alguém e ainda acreditavam em ganhar a vida honradamente como investigadores e não como re-inventores da roda ...guilty as patêga, yep ... quando decidi mudar de rumo e começar à procura de emprego no sector privado (aonde pelo menos não tinha que sobreviver à custa de eventuais bolsas). E como tudo aparece quando é preciso, apareceu-me à frente por pura coincidência uma proposta de emprego aqui. Não por factor C ou nada que se pareça, mas por uma simples brincadeira que depois foi levada bem a sério. Emigrei em 2001 com 24 anitos e na mala levava todas as minhas posses: a minha roupita, livros, cds, computador, os meus dois canudos e um bacalhau :D. Não tenho uma vida de típico emigrante, não. Não tenho nada em Portugal, não tenho lá casa/carro/etc. Quando lá vou há sempre um canto em casa dos pais/irmãos ou um hótel algures e táxis :) Não passo a vida a pensar/contar que me vou embora de volta a Portugal e não faço uma vida só de casa/trabalho/casa. Todos os meus amigos por cá são suíços. Respeitam-me no trabalho e consideram-me uma excelente profissional. O país no geral tem um grande amor à Natureza e ainda se pode ir dar uma volta a pé à noite e olhar para as estrelas sem ter que se estar constantemente vigilante e à espera de ser roubado ou algo pior. Quanto à bruta vivenda, tenho-a cá (onde vivo na maioria do tempo) e quanto a máquinas de última moda, quem precisa delas quando se tem o melhor sistema ferroviário da Europa :D


Em suma, sinto-me em casa. :)

9 comentários:

O Relojoeiro disse...

Excelente mensagem!!!

Retrata certamente o que vai na cabeça de alguns milhares de Portugueses espalhados pela Suíça e não só.
Só tenho muita pena que nenhum político (ou aspirante a isso) venha por aqui ler o que de bom existe lá fora.
Sim, porque cá dentro, de bom, só o clima e a comida.
Pergunto muitas vezes aos meus botões o que de mal fizemos, para ter de aturar este bando de incompetentes?
Até um destes dias! Tudo de bom para ti...

João

cipereira disse...

Há já algum tempo que sigo este blogue - ainda da altura que estive em Zurique.

Só agora, com este post, vi que também estavas no ramo da investigação e concordo com tudo o que escreveste. Estou neste momento a acabar o doutoramento e mortinha por me por a andar deste Portugal para fora! Só estou à espera da oportunidade certa!

Continua, pois aí é que se está bem! País como esse, onde tudo funciona tão bem, deveria ser um modelo para muitas sociedades...

aurora disse...

@João

Portugal é um país que tem potencial para ser mais rico do que a Suíça. Mas para isso, cada indivíduo tem que chegar à conclusão de que a mudança de comportamentos/valores/consciência tem de partir de todos os que lá vivem e não só dos políticos ou "vizinhos do lado" ou "só quando dá jeito".
E sim, eu sei que é muito fácil falar quando se está fora e que alguém muito provavelmente vai pensar qq coisa do género "então pq é que não ficou por cá para ajudar a ...erm .. (só me lembro da expressão em inglês -_-) to make a difference?" E a resposta é muito simples. Porque sou um ser humano como qq outro e não resisti à proposta de emprego que me fizeram fora do país :)


@cipeira

A vida dá muitas voltas :) Nunca eu tinha imaginado quando ainda estava a estudar de que ia sair do País, e hoje em dia acho que é uma experiência que toda a gente devia ter; mesmo que seja só por alguns meses. Mas nem tudo são rosas, há quem se integre às mil maravilhas e há quem apanhe alguns "bumps-on-the-road" pela frente. Hoje em dia sinto-me em casa é verdade, mas foram precisos 7 anos para isso.
Boa sorte como teu doutoramento e com os teus planos futuros. E vai fazendo update ao teu blog. Eu gosto de lá ir espreitar tb ;)

Tia Maria disse...

No meu caso, foi devido á idade. Com trinta e poucos anos, não consegui arranjar emprego em Portugal. Ah, e por ter habilitações a mais.
Enfim, Parece que vou ter que ficar cá por fora ad eternum.
Cumprimentos
Rui e Susana, dois tugas de Almada e Cascais aq viver em Wageningen, Holanda

Rosa disse...

Tal como disse o Relojoeiro é de facto um retrato do que se passa neste triste país. Lindo de paisagens e boa comida que não fica nada atrás de outros paises,mas que em termos culturais ainda vai levar algumas gerações.
Nem com as ditas Novas Oportunidades ,que só mostram os imcompetentes e desgovernados governantes que dia após dia , vemos abandonar do nosso lindo País
pessoas muito válidas ,que podiam enriquecer em todos os niveis a nossa sociedade,a nossa cultura,o nosso desenvolvimento.Em suma a nossa melhor massa critica Emigra ,pede nacionalidade noutro país e a Nossa Querida Pátria, que desde crianças fomos ensinados a amar ,respeitar e até lutar por ela fica entregue a bandos...... de incompetentes.
Pobre País que deixa partir os melhores e mais novos dos seus filhos.
Que um dia a justiça de Deus seja feita. Já que a dos homens não existe.
Que sejas feliz onde por mero acaso foste parar.
Mas como dizes nem tudo são rosas....!E´a experiência que fala.
Muitos beijos

aurora disse...

@Tia Maria

chega uma altura em que mesmo que se queira, uma pesso já não se habitua a trabalhar em Portugal outra vez. O método de trabalho (sem falar nas pessoas) são completamente diferentes.

Tia Maria disse...

É verdade. Neste momento, mesmo que quisesse, não conseguia voltar a trabalhar em Portugal.
Até porque aqui, ganho como aquilo que sou, engenheiro informático, daqueles a sério, que estudou, não como o outro...
E tenho um ambiente de trabalho tão descontraído que ainda ás vezes me belisco. É que eu aqui vou para o trabalho de calções e chinelos porque "epá, rui, está um calor do caraças" (isto em holandês, claro. lol)
O nosso problema em Portugal é e será sempre de mentalidade. Ainda há duas semanas, quando fui a Portugal para a minha esposa se ir tratar da coluna, fui a uma entrevista, por mera curiosidade, só para ver se alguma coisa tinha mudado em 6 anos (há 6 anos que não tinha uma entrevista em Portugal, não fosse eu um gajo expedito e já tinha morrido á fome), numa empresa que se mostrou interessada na minha experiência "lá fora". Pois, a primeira coisa que eles me disseram foi que "Isto não é a Holanda, nós não pagamos esse tipo de ordenados". Ok, então vão bater á porta de outro, que daqui não levam nada.
Enfim, é triste, mas c´est la vie, como diriam os ingleses. lol
Ah, já agora, na minha última entrevista em Portugal há 6 anos, depois de perguntar várias coisas ao entrevistador que achava importante, uma delas qual era a empresa, mania que têm em Portugal de por as pessoas a fazer entrevistas de emprego sem se saber quem é o potencial empregador, e de o personagem a todas responder que não podia disponibilizar essa informação, quando ele me perguntou qual a mais-valia que eu ia trazer á empresa, disse-lhe que não podia disponibilizar essa informação, sai porta fora e deixei-o a falar sozinho.
Realmente, sempre me disseram que eu tinha um mau-feitio do caraças. Eu acho que não, acho que sou é um gajo que se rege na vida pela lógica. 2+2 são 4, não há zonas cinzentas.
Cumprimentos.
Rui e Susana, dois tugas, um deles com mau-feitio, de Almada e Cascais a viver em Wageningen, Holanda

Marco disse...

Olá e boa noite,
Foi com muito agrado que li o teu post e desde já os meus parabéns pela coragem que demonstraste em emigrar visto que é sempre difícil deixar a familia e amigos para trás, mas quando é para melhor nunca se deve deixar passar a oportunidade. A minha pergunta, e visto que trabalhas como investigadora, é:
Há alguma possibilidade de emprego no ramo da química?
Sou técinico de laboratório têxtil e sempre sonhei, e agora ainda mais, emigrar, e gostava de saber qual a possibilidade de trabalhar no ramo em que estou especilizado, química têxtil, sei que não é fácil, mas como diz o outro, a esperança é a última a morrer.
Se puderes ajudar....
Até um dia

aurora disse...

Marco, realmente não sei pq a química não é a minha área. Dá uma vista de olhos à página que tem os links para os centros de emprego. Uma coisa que sim sei, é que alguns cursos não são reconhecidos cá e as pessoas (mesmo vindas da CEE) muitas vezes têm que repetir os cursos aqui para poderem trabalhar na sua profissão de escolha. É claro que tudo depende do curso e de onde foi feito, mas é sempre uma pergunta que não custa fazer em eventuais entrevistas. Outra coisa que se deve perguntar é se é essencial saber a lingua local quando começar a trabalhar. Boa sorte :)